Antes de qualquer coisa acho melhor avisar de forma bem clara e em letras vermelhas. Lá vai:
AVISO: ESTA RESENHA FOI ESCRITA POR UMA PESSOA QUE NÃO É FÃ DE ROXETTE!
Ok, pronto, todos avisados. Afinal, o máximo que eu sei fazer (ou finjo saber fazer, não contem ao David) por aqui é falar de cinema. Isto posto: rapaz, que belíssimo show.
Fui convidado (arrastado) para o Credicard Hall no dia 10/05/2012 por um grande amigo meu que só aceitou me acompanhar no show do Roger Waters (Eterno baixista do Pink Floyd) se eu me comprometesse a ir no show da dupla sueca composta por Marie Fredriksson (vocais) e Per Gessle (vocais e guitarra). Só conhecia as músicas mais famosas como How Do You Do! e Listen To Your Heart, mas não sabia nem se Roxette era escrito Roxxete ou Roxete. Mesmo assim topei o acordo, já que sabia que ele se divertiria horrores assistindo a fantástica produção de The Wall de Roger Waters. “Bora pro sacrifício” foi o que passou na minha cabeça.
A entrada na casa de shows foi tranquila, sem filas quilométricas nem confusão, o que é a coisa que mais vem me agradando no Credicard Hall: A organização se compromete em desde a entrada oferecer uma boa experiência ao público. Enfim, com um copo de cerveja na mão e muita boa vontade tentei lembrar mais alguma música do Roxette. E não é que do nada Dressed for Success surge? Ok, eu estava pronto com todo o meu vasto conhecimento: três músicas. Mas ei, pelo menos a cerveja estava gelada.
O show, que era para começar as 21h30, começou as 22h00 e já com Dressed for Success. Durante a música fui surpreendido por três coisas:
1. Per Gessle possui uma presença de palco fortíssima. O guitarrista não parou de pular e brincar com o público nem por um minuto sequer, mas me passou aquele conhecido “Efeito Chimbinha”, ou seja, aquele guitarrista que você vê o cara lá e sabe que ele existe, mas não escuta patavinas do som da guitarra dele.
2. Em 2002 Marie Fredriksson foi diagnosticada com um tumor cerebral, passando com sucesso por uma cirurgia para extração e meses de quimioterapia e radioterapia, perdendo inclusive a visão do olho direito no processo. Isto posto, é natural que ela tenha dificuldades em acompanhar a energia de Gessle, mas é impressionante a aparente força que ela faz para cantar e alcançar as notas que alcança.
3. “Diabos, esses caras são bons pra cacete.”
Com duas horas de pura curtição e bastante energia positiva descobri que conhecia outras músicas da banda como The Look, It Must Have Been Love, Dangerous, Joyride e Spending My Time. Completamente contagiado, peguei-me cantando junto pelo menos os trechos que sabia. Saldo da noite: conheci melhor uma banda que não imaginava ser tão boa assim.
Acho que é isso: de “bora pro sacrifício” vamos para “bora compensar o tempo perdido e caçar os discos do Roxette”. Nunca foi tão divertido queimar a língua.
Julio Almeida é profissional da área de tecnologia, empreendedor, desenhista, locutor do Claquete e adora escrever parágrafos autobiográficos.