The xx On Hold: O minimalismo que ressoa

Quando The XX lançou I See You, a expectativa era sobre como a banda continuaria a refinar sua sonoridade. E On Hold, logo de cara, mostrou uma evolução natural, sem perder a essência. Não é uma explosão de sons, mas uma construção cuidadosa que se desenrola em camadas.

A faixa tem aquela batida que Jamie XX sabe criar, um ritmo que te puxa para dentro sem ser invasivo. É interessante como ele pega um pedaço de I Can’t Go For That (No Can Do) do Hall & Oates e o transforma em algo totalmente novo, distante do original, mas com uma familiaridade que se insinua. Não é um sample jogado ali, é um elemento que se integra à textura da canção, dando a ela uma camada extra de profundidade e um certo ar nostálgico.

As vozes de Romy Madley Croft e Oliver Sim se entrelaçam de um jeito que já conhecemos, mas aqui parece haver uma clareza e uma vulnerabilidade diferentes. Eles cantam sobre incertezas e o espaço entre as pessoas, e a maneira como as palavras são entregues, quase sussurradas, faz com que a emoção pareça mais real, menos dramatizada. Não há gritos, apenas um reconhecimento sutil de sentimentos complexos.

On Hold é um exemplo de como The XX consegue fazer muito com pouco. É uma música que te convida a prestar atenção aos detalhes, à forma como cada elemento, do sintetizador à batida, contribui para um todo coeso e envolvente. Não é para ser grandiosa, mas para ser sentida e absorvida lentamente.