Pitadas da Virada Cultural

Rolou no último final de semana, em São Paulo, a tradicional Virada Cultural. A oitava edição do evento reuniu cerca de 4 milhões de pessoas por toda a cidade em apresentações que foram do teatro, passaram pelos shows de rock e chegou até os grandes chefes de cozinha.Mas, tudo isso você já sabe. Leu e releu em N portais por aí. O que você não sabe, lerá agora!

Por incrível que pareça a infra deste ano foi excelente, já as atrações… deixaram a desejar um pouco.

Enquanto tivemos um número enorme de banheiros químicos, não rolou aquela apresentação que todo mundo comentou. Polícia para todos os lados, mas faltou alguma coisa.

Grandes nomes passaram pela cidade, claro. Vamos então a algumas impressões, completamente particulares:

Rap: Assisti ao show do Projota, no Palco MTV e da Flora Matos com Lurdes da Luz no Palco República. Impressionante a força desse “novo rap” nacional. Minha surpresa foi ver todos cantando as músicas do rapper paulista, meninas chorando e gritando, algo que só tinha visto com os rockers.

Já Flora Matos e Lurdes da Luz mostraram, com a forte presença feminina, que a mulherada também tem espaço. Músicas que falam de relacionamentos atraíram as meninas com o sol de meio dia, e fizeram da praça da República mais florida.

Rock: Salvador, Cuiabá, EUA e São Paulo muito bem representados.

No Palco MTV os baianos do Vivendo do Ócio não deixaram ninguém sentir sono com as músicas do álbum novo “O Pensamento é um Imã”. Rock rasgado com aquela pitada de dendê, típica do acarajé. Valeu muito a pena acordar cedo e ver os caras.

Ainda na MTV, o Vanguart também tocou várias músicas do último trabalho “Boa Parte de Mim vai Embora”, agitou a galera da rua, dos prédios, dos bares. De todos os lugares pode-se ouvir o som dos cuiabanos. Ah, ainda tiveram a simpatia de cumprimentar cada fã que aguardou na parte de trás do palco. Show de simpatia.

Direto dos EUA o hardcore do Suicidal Tendencies fez uma das maiores rodas de bate-cabeça que já vi. Não tinha ninguém parado, gente pendurada em árvores e um som pra lá de alto. E nenhuma confusão. Valeu a pena passar pela Avenida São João pra conferir o som dos caras.

Pra fechar o rock, os paulistas do Dance Of Days ficaram ali, no cantinho da Rua dos Gusmões, espremidos no palco entre a Rua dos Andradas, mas não teve problema. Tocaram as músicas que todos queriam ouvir.

Um público que conhece a banda desde 1997, e os que conhecem desde o último trabalho, o “Disco Preto”. A nata do underground paulista estava ali. Afinal, prestigiar uma das principais bandas da cena, e de graça não é algo que acontece todo dia. De longe o show mais cativante da virada.

Afrobeat: Simplesmente fantástico o show de Tony Allen. São 71 anos de puro vigor do nigeriano que conseguiu atrair representantes da comunidade africana que reside no centro de São Paulo, e que fizeram do Palco Júlio Prestes um pedacinho da África. Considerado o maior baterista de todos os tempos, mostrou a que veio, mesmo com som baixo no palco. Ponto negativo.

Culinária: Confusão. Essa foi a palavra usada para descrever o que rolou no Elevado Costa e Silva, popularmente chamado de Minhoção. Os principais chefes de cozinha de São Paulo fizeram pratos que iam de R$ 5 a R$10, e só podia dar muito desencontro.

Não se sabia qual era a fila correta, qual o preço de cada prato, como fazia para pagar. O que leva a crer que ano que vem seja feita uma virada apenas para o gênero.

Valeu como experiência de provar um legítimo prato do chefe Alex Atala, mas que seja melhor organizado no próximo ano.

Teatro: O grupo Juventude Interrompida apresentou no Pátio do Colégio uma releitura de Romeu e Julieta. Os apaixonados de plantão marcaram presença no local onde nasceu a cidade de São Paulo. E diga-se de passagem, baita trabalho bacana o apresentado pelo grupo. Vale a pena acompanhar.

O legal desta edição da Virada é que os grupos de teatro tiveram mais espaço. Já é difícil mostrar o trabalho para o público que não tem acesso, escondido então, fica impossível. Ponto positivo.

Essas foram as minhas pitadas. Claro que rolou muito mais, afinal foi um evento que durou 24hs.

Mas fica uma crítica: O ser humano comum pode ver, com muito custo, até 15 apresentações completas. Então, porque não fazer uma virada que dure o ano todo, separadas por estilos, mês a mês?

Fica essa dica e elogios à organização. Ruas limpas, bem policiadas e sem muita confusão. Algumas desinformações, mas que não atrapalharam o evento.

Já pode começar a nona edição, por favor.

 

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